Ter inteligência artificial dentro da empresa e ter maturidade digital são coisas completamente diferentes, e uma pesquisa recente com quase 630 executivos brasileiros mostra exatamente onde está esse abismo.
O que a pesquisa da Amcham revela
Um levantamento da Amcham Brasil em parceria com a Humanizadas, conforme reportagem da Exame, mostra que 84% dos 629 executivos ouvidos, 60% deles em cargos de alta liderança, afirmam que suas empresas já utilizam inteligência artificial. Esse número precisa ser lido com cuidado, já que o universo pesquisado é formado principalmente por organizações médias e grandes. Em uma amostra mais ampla, a pesquisa TIC Empresas 2025, do Cetic.br, entrevistou 4.174 companhias com mais de dez funcionários e encontrou taxa de adoção de apenas 17%, subindo para 50% entre as grandes empresas.
O que os dois levantamentos confirmam, cada um em seu recorte, é que adoção de IA está avançando, mas isso não equivale a maturidade digital.
Por que adoção não é o mesmo que maturidade
A maioria das empresas que já usa inteligência artificial ainda não a incorporou de forma transversal, a tecnologia permanece concentrada em iniciativas isoladas, sem integração completa aos processos e à estratégia do negócio. Isso significa que uma empresa pode ter equipes inteiras usando ferramentas generativas para produzir texto, resumir documento ou analisar informação, sem que nada disso esteja conectado aos sistemas e às decisões que de fato sustentam o resultado da operação.
O nível de investimento explica boa parte desse cenário: 77% das empresas não investem em IA ou destinam até 2% do orçamento à tecnologia, enquanto apenas 9% direcionam mais de 5% do orçamento para a área. Ganho individual de produtividade em uma tarefa isolada é resultado real, mas é fundamentalmente diferente de redesenhar um processo inteiro com IA integrada.
Os números que mostram o tamanho do gargalo
O sinal mais claro de baixa maturidade aparece quando a pesquisa mede impacto real sobre o negócio, não apenas presença da tecnologia. Em 2025, 34% dos entrevistados disseram que a IA produziu resultados pontuais, sem efeito relevante, e outros 27% afirmaram não ter obtido nenhum resultado relevante, juntos somando 61% dos respondentes. Do outro lado, apenas 28% relataram ganho operacional real, como eficiência ou redução de custo, 8% identificaram impacto visível em produto ou serviço, e só 3% conseguiram transformar IA em nova receita e vantagem competitiva concreta.
Os três principais obstáculos citados pelos próprios executivos confirmam que o problema não é falta de ferramenta: 43% apontam falta de profissional qualificado, 41% citam falta de integração entre áreas e sistemas, e 28% mencionam preocupação com risco legal e ético. Quando perguntados sobre o que mais precisa avançar, 64% apontam capacitação técnica da equipe como fator crítico, seguido por estratégia clara de uso, com 52%, e qualidade dos dados internos, com 43%.
Os cinco estágios de maturidade, e onde a maioria trava
A distância entre usar IA e dominar IA pode ser descrita em cinco estágios: uso individual, quando cada funcionário escolhe ferramenta por conta própria; projetos-piloto, quando a empresa testa IA em algumas áreas isoladas; uso integrado, quando a tecnologia passa a fazer parte de processo recorrente; escala, quando soluções são replicadas entre áreas com métrica de negócio acompanhando o resultado; e transformação, quando IA passa a influenciar produto, operação, decisão e modelo de negócio como um todo.
A maioria das empresas brasileiras está travada bem antes do ponto de escala, presa entre uso individual e projeto-piloto isolado, exatamente o estágio em que a tecnologia gera ganho pontual e imprevisível, sem nunca se converter em vantagem competitiva sustentável.
Por que IA precisa ser sistema, não iniciativa isolada
O dado mais revelador de toda essa pesquisa não é quantas empresas usam IA, é quantas conseguiram transformar esse uso em resultado de negócio real: apenas 3%. Isso confirma um princípio que deveria orientar qualquer estratégia de adoção de IA a partir de agora: inteligência artificial não pode avançar como movimento isolado de cada área ou de cada funcionário individualmente, precisa ser tratada como sistema corporativo seguro, com governança clara e acesso amplo a toda a organização, não como conjunto de experimentos paralelos que nunca se conversam.
É esse princípio de governança, transformar uso fragmentado em sistema integrado, seguro e de amplo acesso dentro da empresa, que orienta o AI Journey, da StartSe, programa desenhado para levar lideranças do estágio de uso individual e piloto isolado para uma adoção estruturada, com estratégia clara, dado organizado e capacitação de equipe alinhada ao mesmo sistema.










